Pagª 1 - EDIÇAO Nº LII, I NUMERO  DE DE JANEIRO 2010 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


Continuação da Coluna Um (Ver início)

Na verdade, quando enveredámos (desde o início digamos) pela publicação semanal do jornal partimos de alguns princípios que tínhamos adquirido quando da nossa prestação em jornais impressos. Tal como os futebolistas são supersticiosos existia e existe uma superstição na imprensa.

Acima - em termos de periodicidade - do jornal semanário entra-se na terminologia do boletim, boletim leva a paróquia, paróquia leva a paroquianos, paroquianos leva a «clube» mais ou menos fechado, de crescimento quase familiar ou localizado com grande influência familiar no seu crescimento ou leitura, enfim...não era o que se queria para um jornal que pretendia e ainda pretende ter uma maior expressão junto da comunidade lusófona.

Assim, pensámos nós, os fundadores da ideia (do projecto) que se queríamos realmente seguir uma via de crescimento exponencial tínhamos de manter essa periodicidade mínima de uma semana para cada jornal. E, mesmo os fundadores e os pós-fundadores têm seguido esse princípio, muitas vezes à custa de bastante esforço porque as disponibilidades para o trabalho efectivo de feitura do jornal conta com factores técnicos bastante incertos e complexos.

Assim, conjugar alguma variedade temática com os períodos semanais tem sido uma luta constante e tem sido com bastante prazer que o sistema, por ser semanal ou não, não interessa agora saber, tem respondido de forma bastante animadora às iniciativas que vão sendo aqui escritas e lançadas: contra o «fantasma» do boletinismo atrás referido vamos tendo cada vez mais colaboradores, vamos tendo cada vez mais leitores e vamos tendo cada vez uma maior diversidade temática e de distribuição geográfica.

Estamos, como é de reconhecer, bastante longe de uma meta que possa ser considerada mais aceitável mas mesmo este plano é bastante sujeito a análises diversas. O fenómeno dos grupos sociais, tal como o fenómeno dos chats ou o fenómeno dos fóruns é também um fenómeno cíclico. Aliás, diversos estudiosos do fenómeno Net têm estudado e estudam esta necessidade constante que a Internet tem de apresentar sempre novidades, explorá-las enquanto a onda sobe e de encontrar alternativas que se vão consolidando por vezes partindo de baixo para cima em termos de impacto ou aceitação.

Ou seja, e por outras palavras, muitas vezes a alternativa constrói-se de baixo para cima e vai crescendo dentro do próprio sistema num low profile que só se detecta como potencial vencedor num processo futuro quando começa a substituir os outros de forma evidente.

Falei nos grupos sociais e atrevo-me a pensar que não vão durar muito mais tempo com o impacto actual porque por um lado existe uma profusão enorme de grupos sociais que lutam entre si pelo mesmo espaço de «mercado = público alvo». Sem desejar o mal dos outros, como será evidente: apenas constatamos, dentro de algum tempo os actuais frequentadores de grupos sociais vão ter de encontrar alternativas para a publicação livre dos seus trabalhos em ambiente público. O retorno ao solitário Blog parece-me posto de parte...nós, o nosso jornal e tantos outros somos uma alternativa e com fundamentos estabilizados no tempo.

Daniel Teixeira

LINK PARA OS TRABALHOS SOBRE O NATAL

LINK PARA A LISTA  DOS TRABALHOS INSCRITOS

Ps: Não esquecer que continuamos abertos à recepção de donativos.  

 

Poesia de Mário Matta e Silva

PRISMA DO AMOR

O amor é pródigo
Em pregar partidas
Pelos caminhos da vida
Onde as recaídas
São obstinação diluída.

O amor é o tempero
De cada sentimento
Em arremesso de prosa
E um edílico alento
Que cala a alma chorosa.

O amor é a vibração
Do compasso que eu dou
A cada dia construído
Na ânsia que transbordou
Pelo eco dum gemido.

O amor é a confusão
Das esperanças alteradas
Lonjuras a encurtar
Em todas as espreguiçadas
Sombras dum dócil luar.

O amor pode ser raiva
Num pranto andando por perto
Feito d’abraços conseguidos
Num sonho assaz encoberto
E um querer pleno d’amigos.

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Adeus a Roberto Oliveira(Ver Início)

Estou a escrever, porque também a minha vida foi diferente a partir do momento dos nossos primeiros contactos e quero deixar uma homenagem pública em jeito de agradecimento e profunda gratidão a esse homem fantástico e amigo incondicional, que faleceu inesperadamente a 23 de Dezembro, deixando uma família inconsolável, a quem se dedicou tão profundamente, que na sua cidade há anos que era dado como morto, pois saía tão poucas vezes á rua, que as pessoas já pensavam que tinha falecido há muito.

Não irei dizer a sua idade, porque esse era um segredo que ele fazia questão de preservar, não por vaidade, mas porque ele era na verdade intemporal! Tinha o seu personagem de Cavaleiro Mago, que vinha do passado, e portanto não tinha idade! Ou melhor seria dizer que tinha parado no tempo, por volta dos 30 e tal anos, pois tal como Jesus Cristo, ele também tinha uma missão a cumprir e uma família a salvar.

Bem mas vou tentar contar um pouco da sua história que tive conhecimento através das nossas longas conversas na Internet, desde 2003, portanto há cerca de 7 anos, pois que jamais tive o prazer de o conhecer pessoalmente.

Roberto era o mais novo de cinco irmãos, nascidos no Rio de Janeiro . A sua mãe era muito jovem , branca e orfã que vivia num convento. O seu pai era mulato, e enamorou-se da menina, que saiu do convento para viver com ele, ainda com a idade de 13 anos. Logo os filhos começaram a nascer, mas o casamento não durou muito. O pai tinha problemas de saúde e refugiou-se na bebida, maltratando a jovem esposa e os filhos. Separados, a mãe encontrou novo companheiro e foi com ele viver para uma cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, onde até á data da sua morte, o Roberto viveu.

Mas naquela época, e naquela sociedade, uma jovem separada, branca, com cinco filhos mestiços, não era bem aceite e a família do novo marido não a queria no seu seio, em especial não queria os seus filhos, principalmente o mais pequeno que dava mais despesa e tinha uma personalidade rebelde.

A solução encontrada, foi internar o menino, num internato. Mas não era um internato vulgar, ou talvez fosse naquela época, pois era numa fazenda do interior, com regras tão rígidas que mais parecia uma prisão. De manhã os internos iam trabalhar para o campo e as estradas, sempre de calções apenas e descalços, fosse inverno, ou verão. Ao almoço comiam uma sopa fétida, no grande refeitório e de tarde estudavam as primeiras letras.

A fome e o frio bem como os mau tratos e humilhações, eram uma constante na vida destes meninos. Roberto era muito inteligente e sabia da situação da sua mãe e que tinha que estar ali, para ela poder estar com a sua nova família. Mas mesmo assim, fugiu duas vezes, com companheiros, de noite pelos campos, até á cidade, num percurso de 20 a 30 quilómetros, para ir ao encontro da sua mãezinha. Mas sempre teve que voltar. Da terceira vez, Roberto não fugiu.

Estava muito doente com febre e imensas dores, mas levado para a enfermaria ficou encolhido á espera da morte. Até que alguém o encontrou assim e resolveram levá-lo para o hospital. Operado de urgência, tinha uma peritonite já perfurada. Mas salvou-se e foi levado pela irmã mais velha que já era casada com um português, e vivia no Rio de Janeiro, para viver com ela e receber tratamentos.

No Rio de Janeiro, Roberto passou a fazer uma vida de menino de rua, pois a irmã e o cunhado trabalhavam e não tinham como tomar conta dele. Até que resolveu fugir para junto da sua mãe de novo e foi para a rodoviária. Mas a irmã alertou a polícia que o prendeu e levou para um reformatório. Aí já na adolescência, vivendo entre jovens delinquentes já adolescentes, Roberto enfrentou mais algumas lutas pela vida e aprendeu mais lições de sobrevivência. Saiu de lá para servir na Marinha de Guerra, com a idade de 14 anos.

Colocado num quartel da marinha, que era uma fortaleza, apesar da sua pequena estatura e idade, fazia todo o serviço normal, incluindo guardas á porta de armas, empunhando uma metralhadora. Um dia teve uma discussão com um superior e de novo fugiu, tão desesperado e revoltado, que arremessou toda a sua documentação ao mar.

De novo junto da sua mãe, tiveram que lhe arranjar novos documentos e como não havia registos, ficou apenas com um apelido, Oliveira.

Foi enfermeiro num hospital e quando teve idade, ingressou no exército para ser soldado. Mas houve uma tentativa de revolta e o exército foi chamado a intervir. Houve confrontos e o Roberto foi atingido por sete balas em vários órgãos vitais. Mais uma luta de sobrevivência teve lugar e novamente Roberto foi dado como morto pelos seus amigos que sabedores que ele tinha sido atingido e deixando de o ver, pensavam que ele tinha falecido.

Mas não foi ainda desta vez, pois Roberto recuperou, embora com várias cicatrizes no corpo que aproveitava para exibir e impressionar as novas amigas encontradas no virtual.

Bem é que Roberto foi um pioneiro do virtual. Não havia ainda computadores e internet, é claro, mas havia telefones. Então no quartel ou no hospital, Roberto pegava no telefone nos seus tempos livres e discava um número ao acaso. Se atendia uma voz feminina, usando os seus dotes de comunicador logo ia fazendo novas amizades até ao conhecimento pessoal.

Mas havia muito preconceito e Roberto era frequentemente discriminado pela cor da pele em especial e os seus relacionamentos terminavam mal. Até que começou a frequentar a Igreja Espírita e conheceu uma jovem que também era vítima de exclusão, mas devido a problemas de saúde. Esse facto aproximou-os, ficaram amigos e companheiros inseparáveis e acabaram por casar. Aconselhados a não terem filhos, devido aos problemas de saúde da esposa, no entanto a natureza foi mais forte e acabaram por ter um único filho, embora com dificuldades em levar a gravidez avante.

(Continua)