EDIÇAO NºLIII
, II NUMERO DE JANEIRO DE 2010 -
COMENTARIOS
Maria da Fonseca - Poemas de Natal
NOVO NATAL - 2009
Mais um Natal a chegar
De incerteza para o Mundo.
Não cessam de discordar,
Agravando mal profundo.
Eu rezo e desespero,
Pela Paz, ó meu Senhor,
E não sou só eu que quero,
São multidões, com fervor.
Faz com que os homens se entendam,
Partilhem boa vontade,
Dêem as mãos, compreendam
O que é Fraternidade.
Com este novo Natal
Regresse a nossa esperança.
Ajuda quem passa mal,
Protege cada criança.
O Nosso Menino Amor
Renasça no coração
De cada homem, Senhor.
-E esta minha Oração!
NATAL
Virgem Santa, Imaculada,
Os desígnios do Senhor,
Aceitaste humilde e pura,
Ser a Mãe do Redentor.
E em lindo Dia
Sagrado
Deste à luz o Deus Menino
Numa choupana em Belém,
Marcado fora o destino.
Nasceu sem ter o seu
tecto
Nem o berço preparado,
Porque os Pais se deslocaram
Pra cumprir o editado.
Do facto maravilhoso,
Souberam logo os pastores,
Que acorreram ao Presépio
Pra prestarem seus louvores.
Noite única, divina,
Jamais se irá repetir,
Em que Deus, feito
Menino,
Veio à Terra prà remir.
No céu os anjos
cantaram
E as estrelas cintilantes,
Mais e mais iluminaram,
Com suas luzes brilhantes.
E neste Dia, Natal,
Que sempre nós celebramos
A chegada do Messias,
E a seus pés O adoramos.
JORNADA CREPUSCULAR

SARAMAGO: UM ATEU PERVERSO
Por Mário Matta e Silva
Passeio-me com a Bíblia por entre as mãos e vou viajando, de parábola em parábola, durante a jornada crepuscular dos nossos dias, atento à polémica em volta do escritor Saramago.
Reparo nas reacções e confrontos com as palavras deste assumido ateu, mais do que ao seu livro agora editado, CAIM, e sinto quanta perversidade existe na sua acalorada afirmação de que a Bíblia «é um manual de maus costumes».
Tenho por mérito conhecer-me como um crente pouco participativo mas leitor atento da Bíblia e do antigo e novo Testamentos, mas não é por isso que não posso ajuizar do comportamento de um português que auto se «exilou» nas Canárias.
A maior acusação que posso fazer às afirmações de Saramago é a de que a forma e conteúdo das mesmas são de um desajustamento enorme face ao nível intelectual que se lhe exige. Mostrou Saramago, nestes últimos dias, ser um ateu perverso dada a forma perigosamente fanática com que se arroga das suas conclusões.
Nada mais fácil poderá ter feito para negar a Deus, escrevendo-o com minúsculas e opondo-se à sua existência, reinventando a sua não existência. Quanto a Caim, os escritos dos primeiros tempos (Antigo Testamento) mostram à saciedade que é do mal e do bem que se fala, que é destas duas forças que se vivenciam pela humanidade de que se «verseja».
Caim, frente a seu irmão Abel, detém o poder do mal, e lemos assim na História da Bíblia esta passagem: «(…) Caim porém guardou rancor no coração, e um dia, tendo convidado o irmão a ir passear com ele ao campo, arremeteu ao inocente Abel, e matou-o.»
Para no fim desta passagem se afirmar: «E pôs Deus um sinal em Caim, o qual se retirou da presença do Senhor, e começou vida errante e fugitiva.» Entre a vigorosa alegoria do rancor e da vingança (expressões do mal) e o castigo, assinalando-se aqueles que praticam o mal, existe uma força teológica e litúrgica superiores.
Saramago ao negar a transcendência divina nega logo a possibilidade de um castigo divino e o repúdio do mal perante o bem. Na sua escrita barroquizada e marcadamente personalizada, como no Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) mostra a mesma anarquia vernácula que usa na sua forma oral de comunicar, adicionando-lhe a arrogância com que quer demonstrar a posse do saber definitivo e único.
Não tem certamente Saramago esse direito, como ninguém o tem, em relação ao saber universal em todas as vertentes do conhecimento. Um leigo não pode falar com tanta prepotência… e Saramago para muitos planos do saber é um leigo, mesmo que detentor de um prémio Nobel.
Confrontar a origem divina do homem é legitimo e é viável intelectualmente, quando defendido por um descrente, mas não o é confrontando o seu semelhante arrogando-se de todo o saber em absoluto. Para além de um risco é uma soberba e um desrespeito para com o seu semelhante, cristão ou não cristão, praticante ou não praticante, leitor das Sagradas leituras ou não leitor.
Aliás a sua arrogância impõe-se normalmente até quando quer ironizar, como no caso do seu livrinho ridículo Viagem do Elefante. Saramago não constrói nada sem destruir, pela escrita e pela palavra. Este narrador mistura tempos históricos e exalta a sua verdade perante os escritos onde as alegorias, os mitos, as forças da natureza se evidenciam sem levarem o leitor a outra forma de romance ou de ensaio que menos necessitam de descodificação.
Saramago quer vender o seu livro Caim até a quem não leu «Abel e Caim» na Bíblia ou a quem, como ele, não entende a harmonia do todo lendo as partes, parábola a parábola, como se de uma lição litúrgica se tratasse. Negar Deus desta forma, é a negação pelo absurdo, de quem, como ateu se opôs mesmo aos ateus no seu todo dialogantes e respeitosos.
Por isso, até contra os seus semelhantes ateus ele se rebelou. Tudo que possa ser dito em oposição a Saramago, por eclesiásticos ou por leigos, será bem recebido, pois a liberdade de expressão é um bem adquirido, não só para blasfemar, para negar a Deus, para desconhecer o conteúdo histórico e litúrgico da Bíblia, para transfigurar mitos e lendas como ele o faz.
Muitos leitores (ou meros compradores) dos seus livros, estão ávidos de presunção para colocarem mais um livro de Saramago nas suas bibliotecas, mesmo que não o leiam. Para compreender o livro Caim, é preciso conhecer bem a Bíblia… e quem a conhece melhor do que os seus estudiosos teólogos ou leigos que sejam? Assim será senhor Saramago, a sua verdade não é a ultima e infinita verdade, como pretende que seja na sua soberba de descrente convicção.
E assim que eu sinto hoje, através das minhas jornadas crepusculares, a perversidade de José Saramago, que prefere impor ditatorialmente a palavra em prosápia que exprime arrogância, sem nada que se assemelhe a uma atitude genuinamente democrática, agitando a musculada afirmação marxista do «ópio do povo».
Eis a forma como o autor sente «a profunda maldade do senhor» (pag. 106 de Caim) inculcando não um Deus, mas tão e simplesmente uma «ideia de deus» misturando-se assim com os vendilhões do templo.
25 de Outubro de 2009
MARIO MATTA E SILVA

Ilona Bastos
Allegro, allegro vivace! Avancemos para a vida com alegria, mesmo se a cabeça dói ou o olhar se entristece. Allegro, allegro vivace! Avancemos alegremente para a vida!
Hoje não escrevo, porque é domingo, e ao domingo o meu pensamento fecha. Ao domingo, acordo tarde, com dores de cabeça. Ao domingo vou almoçar com a família. Ao domingo vagueio pela Internet, ávida de algo. Ao domingo estendo a roupa e faço o jantar. Portanto, ao domingo não escrevo, e o meu pensamento fecha.
Posso reler o que escrevi e fazer emendas, mas não escrevo. Posso desenhar letras, com elas formar palavras e articular frases, mas não escrevo. Posso até fingir que escrevo, mas não escrevo. Acabarei inevitavelmente por comer os morangos que sobraram do jantar, mas não escrevo! .